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Cálculo Renal

07 jul

Cálculo Renal

Cálculo ou Litíase é a formação sólida que surge no aparelho urinário, decorrente de saturação de sais presentes na urina. É popularmente conhecida como “pedra”. A urina é uma solução cujo solvente é a água. Possui diversos solutos (sais e minerais) em sua composição. Quando algum soluto está em concentração aumentada ou em situação de saturação elevada, ele se apresentará no estado sólido. Quando ocorre a agregação dessas partículas sólidas há a formação de cristais (apresentação microscópica) e, posteriormente, de cálculos (apresentação macroscópica).

A presença de cálculos nos rins é uma situação comum na população mundial. A prevalência dos cálculos renais, ao longo da vida, varia de 1 a 15%.

 

Composição

As principais substâncias responsáveis pela formação dos cálculos urinários são o oxalato de cálcio (60%), o fosfato de cálcio (22%), o ácido úrico (7%), a estruvita (7%) e a cistina (1%). De outro lado, temos substâncias que exercem efeito protetor como o citrato, o magnésio, as glicoproteínas nefrocalcina, uropontina e a glicoproteína de Tamm-Horsfall.

 

Fatores de Risco

São fatores de risco ocupacionais a exposição ao calor e situações que geram desidratação como, por exemplo, os trabalhadores da siderurgia. A Síndrome Metabólica (obesidade, dislipidemia, hipertensão e diabete mellitus) e as dietas com alta quantidade de sódio e proteínas são associadas a maior chance de desenvolver litíase. A ingesta abundante de líquidos, por outro lado, é um fator de proteção bem conhecido.

Situações que ocasionam distúrbios absortivos no intestino, como ressecções extensas de segmentos intestinais, colites autoimunes e diarreia crônica, podem ocasionar desequilíbrio no metabolismo dos íons cálcio, oxalato e magnésio, aumentando a chance de desenvolver cálculos urinários. Outra doença envolvida em formação sistemática de cálculos é o hiperparatireoidismo.

 

Diagnóstico

A presença de cálculos no aparelho urinário não necessariamente ocasionará sintomas. Quadros de litíase se tornam sintomáticos na presença de infecção ou de obstrução à passagem da urina. Dessa forma, é muito comum o diagnóstico de litíase em pessoas realizando exames de imagem para outras queixas ou em exames de check-up rotineiros.

Quando há obstrução à passagem da urina, ocorre um quadro de dor intensa conhecido como cólica renal. É caracterizado por dor na região lombar e no flanco, com irradiação para abdome inferior, grandes lábios ou testículo, tipo cólica, associado a náusea, vômitos, palidez e, às vezes, sangramento na urina.

 

Tratamento

O tratamento dos cálculos urinários é pautado pelo risco de complicações e pela chance de eliminação espontânea. Pode ser optado somente por observação, utilizando-se de exames de imagem, assim como por cirurgias, com o objetivo de desobstrução ou de extração do cálculo.

Para esta decisão, o urologista irá avaliar diversos aspectos como tamanho, quantidade e grau de dureza dos cálculos, antecedente de eliminação espontânea, comorbidades, antecedente cirúrgico, anatomia do aparelho urinário, presença de infecção associada, dentre outros fatores. De uma forma geral, quanto maiores as dimensões, a dureza e a quantidade, mais complexo será o tratamento. O planejamento terapêutico dos cálculos renais tem como metas a remoção total da massa calculosa, a preservação da função renal, o controle de processos infecciosos e a prevenção da formação de novos cálculos.

 

 

Escrito por Dr Heleno Diegues Paes

 

Referências:

 

Ver também:

Tratamento de Cálculos Renais – LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA POR ONDAS DE CHOQUE