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Check-up Cardiovascular

24 jul

Check-up Cardiovascular

 

ATEROSCLEROSE: o vilão

 

A doença isquêmica do coração e o acidente vascular cerebral, respectivamente, contabilizam as principais causas de mortalidade no mundo, sendo responsáveis por 15,2 mi­lhões de óbitos só no ano de 2016. Ambas persistem como causas prevalentes de mortalidade global nos últimos 15 anos. A aterosclerose é o principal substrato da doença isquêmica coronária, da doença cérebro vascular, dos aneurismas de aorta e da doença vascular periférica. No contexto de prevenção, é fundamental o conhecimento da história natural da aterosclerose, para a tomada de decisões preventivas e terapêuticas.

 

IDENTIFICAR O INDIVÍDUO VULNERÁVEL

 

Um dos grandes desafios da prevenção cardio­vascular é identificar o indivíduo vulnerável, assintomático, antes de um evento clínico acontecer. Décadas de investiga­ções consagraram os chamados fatores de risco para ate­rosclerose. Estima-se que 80% dos casos de doença arterial coronária resultam da presença isolada ou em associação de fatores como as dislipidemias, tabagismo, hipertensão arterial, diabetes dentre outros. Além disso, biomarcadores como história familiar de aterosclerose precoce, marcadores de inflamação de baixo grau como a proteína C reativa (PCR), e de imagem da placa de ateroma (escore de cálcio coro­nário) ajudam a identificar e reclassificar o risco de doença cardiovascular.

Recentemente, avanços apontam para o uso de esco­res genéticos que identificariam precocemente indivíduos predispostos aos eventos clínicos. Entretanto, nada disso vale se o indivíduo não for submetido a uma avaliação do risco cardiovascular, muitas vezes denominada de check-up.

 

FATORES DE RISCO

 

O check-up cardiovascular consiste na verificação rotineira e sistemática de indivíduos assintomáticos, pela avaliação do risco e identificação de problemas de saúde em estágios iniciais, ou que ainda não tenham se manifestado. Além da avaliação clínica, ele inclui exames laboratoriais, testes funcionais e de imagem. O check-up pode identificar indiví­duos com fatores de risco como hipertensão, dislipidemia ou predisposição genética pelo histórico familiar, além de reconhecer precursores de doenças incipientes, permitindo que medidas preventivas sejam introduzidas precocemente, para redução da morbimortalidade geral e cardiovascular. O check-up também identifica sintomas e sinais de doenças já manifestas, conscientizando os indivíduos quanto à im­portância do seguimento e tratamento adequados.

Não há consenso sobre a idade de início do check-up cardiovascular. A maioria dos cardiologistas indicam o início aos 35 anos, mas deve ser individualizado de acordo com histórico familiar e presença de outros fatores de risco.

 

ESCORE DE RISCO GLOBAL

 

A Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose de 2017 recomenda a utilização do Escore de Risco Global (ERG), onde é calculado o risco de um evento trombótico agudo em 10 anos. São utilizados fatores de risco como idade, sexo, pressão arterial, colesterol total e HDL-colesterol, tabagismo e diabetes.

A partir do ERG, os indivíduos são classificados em 4 categorias:

  • Risco muito alto
  • Risco alto
  • Risco Intermediário
  • Baixo risco

Após a estratificação de risco, são definidas metas de tratamento. O tratamento não-farmacológico e farmacológico, principalmente para redução do colesterol e da pressão arterial, deve ser iniciado de imediato nas populações de risco muito alto e alto. Nos indivíduos de risco intermediário e baixo, iniciam-se primeiro as mudanças de estilo de vida, funda­mentais para a prevenção dos pacientes nas categorias de risco menos acentuado.

 

 

Escrito por Dr Alberto Borga Medeiros

Especialista em Cardiologia da Clínica Dr Examina

 

Referências:

Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo 2019;29(1):46-52

 

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